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Ruben de Carvalho

(21 Julho, 1944 - 11 Junho, 2019)

Intelectual, amante de Fado, jornalista e militante comunista, Ruben Luís Tristão de Carvalho e Silva nasceu em Lisboa, a 21 de Julho de 1944.

Desde cedo preocupado com a luta antifascista, Ruben de Carvalho foi membro das comissões juvenis de apoio à candidatura do General Humberto Delgado, em 1958, e integrou, de 1961 a 1964, enquanto estudante, a Direcção da Comissão Pró-Associação dos Estudantes do Ensino Liceal e da Comissão Nacional do Dia do Estudante.

Já no Ensino Superior, fez parte da luta académica de 1962 tendo integrado, no ano seguinte, a Direcção da Comissão Pró-Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa e, posteriormente, foi membro da Reunião Inter-Associações. Foi também activista da Oposição Democrática nas “eleições” para a Assembleia Nacional nos anos de 1961, 1965 e 1973, tendo nestas últimas integrado a Comissão Central da Comissão Democrática Eleitoral.

A sua presença constante e activa nos movimentos estudantis, levou a que fosse incessantemente perseguido pela PIDE, tendo sido preso em 1961, 1962, 1963, 1964, 1965/66 e a 7 de Abril de 1974 e, segundo o próprio, “apresentado a todas as prisões do Fascismo”.

O seu contributo na política portuguesa foi vasto. Militante do PCP, desde 1970, foi funcionário do Partido entre 1974 e 1997, onde ocupou, entre outros, o cargo de Chefe de Redacção do “Avante!” e membro do Executivo da Comissão Nacional da Festa do “Avante!”, desde a sua primeira edição, em 1976. O nome de Ruben de Carvalho tornou-se indissociável desta Festa pela sua intervenção de destaque na escolha da programação cultural e organização/concepção dos seus espectáculos musicais.

Foi, também, deputado da Assembleia da República – eleito pelo círculo de Setúbal em 1995 -, vereador da Câmara Municipal de Setúbal (1995) e da Câmara Municipal de Lisboa (entre 2005 e 2013), onde foi o responsável pelo Roteiro do Antifascismo. Foi também membro da Comissão Executiva das comemorações do 25º Aniversário do 25 de Abril, nomeado pelo Presidente da República Jorge Sampaio.

Enquanto jornalista, trabalhou n’”O Século” durante vários anos e colaborou com várias publicações como a “Seara Nova”, “Notícias da Amadora”, “O Diário”, “Diário de Lisboa”, “Século Ilustrado”, “Contraste”, “JL”, “O Militante”, “Politika”, “História”, “Vida Mundial”, “A Capital”, e o “Expresso”. Foi cronista no “Diário de Notícias” e comentador da SIC Notícias e dirigiu, entre 1986 e 1990, a rádio local “Telefonia de Lisboa”, na qual produziu e realizou diversos programas. Foi membro do Conselho de Opinião da RTP em 2002 e produzia, desde 2009, o programa “Crónicas da Idade Mídia”.

Ao longo da sua vida, escreveu vários livros e prefaciou diversas obras. Da sua autoria, destacam-se “Dossier Carlucci-CIA”, “Festas de Lisboa”, “Seis Canções da Guerra de Espanha”, “As Músicas do Fado”, “Um Século de Fado”, “Histórias do Fado”, estes três últimos de uma importância enorme para a compreensão deste género musical. Enquanto produtor de discos e espectáculos, foi o responsável por trazer grandes nomes internacionais como Pete Seeger, Chico Buarque e Dexys Midnight Runners pela primeira vez a Portugal.

Outro dos contributos que deu à Cultura de Lisboa, foi enquanto membro da Comissão Executiva das Festas de Lisboa e da Comissão Municipal de Preparação de “LISBOA 94 - Capital Europeia da Cultura”, onde ficou encarregue de comissariar as áreas da Música Popular e Edições e Director artístico, nomeado pela Câmara Municipal de Lisboa, do Festival das “Músicas e Portos” (1999). Foi também Membro do Conselho Directivo do Centro Cultural de Belém.

Agraciado a 24 de Maio de 1995 com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pelo Presidente da República, Mário Soares, Ruben de Carvalho veio a falecer anos mais tarde, a 11 de Junho de 2019, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de complicações de saúde que exigiram internamento hospitalar.

O legado de Ruben de Carvalho não passou somente pela marca indelével que deixou na resistência antifascista, mas também pela Cultura e pelas Artes. Por este seu contributo, o Município de Lisboa decidiu atribuir o nome de Ruben de Carvalho ao auditório do Museu do Fado, numa cerimónia solene que ocorreu a 21 de Julho de 2021 e que contou com a presença de familiares e amigos, o Secretário-Geral do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e o Primeiro-Ministro, António Costa.

 

Fonte:

www.pcp.pt

https://observador.pt/2019/06/11/morreu-ruben-de-carvalho-historico-dirigente-do-pcp/

 

Ruben de Carvalho com José Pracana, Lisboa, 1998

"Um século de Fado", por Ruben de Carvalho

"Histórias do Fado" por Ruben de Carvalho, Maria Guinot e José Manuel Osório

"As Músicas do Fado" por Ruben de Carvalho