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Maria Leopoldina Guia
(N. 3 fevereiro, 1946 - M. 19 abril, 2006)Maria Leopoldina Guia, carinhosamente apelidada de “Pilina”, pelos seus amigos, nasceu em Alcochete, a 3 de fevereiro de 1946. Ao pai, o guitarrista João dos Santos Guia, pela influência que exerceu na sua ligação ao fado, dedica, em 1996, o seu segundo álbum.
Começou a cantar com cerca de dez anos, entrando em peças de teatro amador nas coletividades de Rio Frio. Até aos 19 anos de idade cantou fado-canção, tendo por principais referências Simone de Oliveira e Maria de Lurdes Resende. Dedicou-se depois ao fado, tendo D. Maria Teresa de Noronha como sua grande inspiração.
Aos 20 anos, Maria Leopoldina gravou o seu primeiro trabalho, na editora “Alvorada”, intitulado Eu escolhi a liberdade, composto por quatro temas, dois acompanhados à guitarra e à viola, com Raul Nery, e dois pela orquestra de José Mesquita.
Maria Leopoldina voltou a gravar em 1995, sendo um dos nomes do disco coletivo Alcochete – Nostalgia do Fado, no qual participou cantando os fados Sou feliz e Triste Sorte. O trabalho foi promovido um pouco por todo o país.
Em maio de 1996, Maria Leopoldina Guia deslocou-se a Madrid para dois concertos, na Casa de Espetáculos Galileo Galilei, organizados pelo escritor e estudioso do fado Jesus Termuy.
Em 1996, “Pilina” lançou o seu segundo trabalho em nome próprio. Acompanhada pelos músicos Fontes Rocha, José Luís Nobre Costa, Jaime Santos Jr. e Joel Pina, apresenta-nos catorze fados, onde se destacam o Novo Fado de Alcochete, Partir é morrer um pouco, Prece de um toureiro e Versos de Orgulho, canção que dá o nome a este trabalho.
Apesar de ter optado por não seguir o fado como carreira profissional, a ele regressava sempre que podia. Acompanhada pela voz de Leopoldina Guia, a Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 venceu, em 2003, o Certamen Internacional de Bandas de Música de Valencia. Com a mesma Banda já havia gravado, no ano 2000, o CD Olé, no qual deu voz às faixas Viva el Pasodoble, Fado do Barrete Verde, e Novo Fado de Alcochete.
Em 1995, o guitarrista Sidónio Pereira iniciou um projeto de fusão entre o Fado e o Flamenco, denominado “Flamenfado”, em conjunto com alguns músicos espanhóis. Maria Leopoldina Guia associa-se ao projeto em representação do Fado e há apresentações em várias cidades espanholas e portuguesas, como Madrid, Badajoz, Mérida, Lagos, Montijo e Moita.
Pelo papel que cumpriu na terra que a viu nascer, Maria Leopoldina Guia foi largamente distinguida e homenageada. A Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 batizou uma das suas salas com o nome da fadista e o Aposento do Barrete Verde prestou-lhe tributo a 30 de janeiro de 1993. Aquando do lançamento do trabalho Versos de Orgulho, foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural pelo Município de Alcochete. Foi posteriormente homenageada pela Câmara Municipal em 2006, no âmbito do 108º Aniversário da Restauração do Concelho, com a atribuição da Medalha D. Manuel I, como reconhecimento do mérito cultural em prol da cultura e do Município de Alcochete.
A 7 de outubro de 1991 casou com Manuel Pires Rosa, com quem viria a constituir família, tendo dois filhos. Pelo casamento uniu dois mundos ligados à tradição ribatejana – o fado e a tauromaquia –, representando um pilar importante na sua vida pessoal. Progressista dentro do fado ribatejano, destacou-se por escolher temas que refletiam a realidade e as tradições da sua região, sem se limitar aos registos mais clássicos do fado. Entre os temas que cantava, sobressaíam as touradas de lezíria, deixando espelhar a importância do touro e do cavalo na cultura local.
O seu gosto pelo mundo tauromáquico fê-la gravar, com Filipa Costa Ramos, o trabalho Viva Pedrito, para o qual contribuiu com os fados Viva Pedrito e Olé Matador.
Maria Leopoldina Guia faleceu a 19 de abril de 2006.