Museu do Fado
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Personalidades
 
Francisco Carvalhinho
( 1 Janeiro, 1918 - 27 Janeiro, 1990 )
Frequentador assíduo das colectividades do seu bairro, será aí que Carvalhinho enceta a sua carreira de instrumentista, prestando a sua colaboração nos entreactos que na época se realizavam nas sociedades de cultura e recreio, tocando sucessivamente os instrumentos: bandolim, banjo, violino (a que dedicará 12 anos da sua vida) e, finalmente dedica-se à guitarra portuguesa.

Francisco José Gonçalves de Carvalho, que ficou conhecido apenas por Carvalhinho, nasceu em Lisboa, no bairro de Campolide, no dia 1 de Janeiro de 1918.

Frequentador assíduo das colectividades do seu bairro, será aí que Carvalhinho enceta a sua carreira de instrumentista, prestando a sua colaboração nos entreactos que na época se realizavam nas sociedades de cultura e recreio, tocando sucessivamente os instrumentos: bandolim, banjo, violino (a que dedicará 12 anos da sua vida) e, finalmente dedica-se à guitarra portuguesa. (Sucena, 1992:87)

Aos 18 anos toca pela primeira vez em público (1936), na Verbena da Poeira, à Calçada do Combro, passando a actuar todos os fins-de-semana noutras verbenas e esplanadas lisboetas.

Ainda segundo Eduardo Sucena (1992), em 1937 dá-se a grande oportunidade quando Carvalhinho é convidado a substituir Armandinho durante uma semana, no “Retiro da Severa” (com um cachet de 20$00 diários, precisamente metade do vencimento daquele guitarrista). Acompanhava-o à viola, Santos Moreira.

Relojoeiro de profissão, Carvalhinho virá a abandonar este ofício aos 20 anos (1938), para enveredar definitivamente pela carreira de Guitarrista.

Com o violista Pais da Silva, tocou no “Café Mondego”, alternando com o guitarrista José Nunes e no “Café Latino”. Carvalhinho regressou ao ex-“Café Mondego”, transformado em “Retiro dos Marialvas”. (op.cit:87)

Em 1941, actuou no “Café Monumental” e esteve durante um ano na Sala Júlia Mendes do Parque Mayer com o violista Martinho D´Assunção, cujo conjunto de guitarras integrou juntamente com Jaime Santos e Alberto Correia quando em 1950 o mesmo se exibiu no “Belvedere”.

Entretanto actuou na “Adega Machado” e na “Adega da Lucília” e em 1951 participou nos espectáculos dos "Companheiros da Alegria" sob a direcção de Igrejas Caeiro. Já em 1952 actuou no “Vara Larga” (depois “Gingão”).

Carvalhinho e Pais da Silva, acompanharam Alberto Ribeiro na sua deslocação à Venezuela.

Em 1953 actuou no “Salvaterra” (antigo “Retiro dos Marialvas”).

Neste mesmo ano deslocou-se a Angola, Moçambique e África do Sul, numa tournée em que, com Martinho D´Assunção acompanhou Maria Pereira. (op.cit:87)

Em 1958-59 esteve no Canadá, em Toronto, a acompanhar com o seu filho, Carvalhinho Júnior, os fadistas Fernando Maurício e Licas. (op. cit:87)

Novamente em Portugal, e nos anos 60, actuou nos restaurantes típicos “Márcia Condessa” e “Painel do Fado”. Após este período de passagem por várias casas típicas, Carvalhinho manteve-se como guitarrista privativo no restaurante “A Severa”.

Em 1980 deslocou-se a França para actuar no restaurante típico “Saudade”, em Versalhes, acompanhado por Manuel Martins. A partir desta década o guitarrista inicia uma nova actividade, a reparação de instrumentos de corda.

Carvalhinho deixou-nos vários discos de guitarradas e melodias, acompanhado por Martinho D´Assunção. São dele os seguintes fados, entre muitos outros:

"Minha Guitarra" (letra de Domingos Gonçalves Costa), gravado por Carlos Ramos;

"Dias Contados" (letra de Fernando Farinha), gravado por este;

"Fui por Alfama" e "Saudade" (letras de Guilherme Pereira da Rosa), gravados por Beatriz da Conceição; "Quero Ir Contigo" (letra de Domingos Gonçalves Costa), gravado por Maria Pereira; "Rua Sem Sol" (letra de Lopes Victor), gravado por Alice Maria; "Mal D 'Amor" (letra de João de Freitas), gravado por Isaura Gonçalves; " À Roda de Ti" (letra de Linhares Barbosa); "Este É o Meu Fado" e "Nunca Pretendas Saber (letras de Domingos Gonçalves Costa); "Eu Sou Do Fado", "Hora Tardia", "Por Ti Sofro Tanto", "Segue o Teu Rumo" e "Sem Ti" (letras de Lopes Victor), gravados por Fernanda Maria; "Fado Brigão" (letra de Amaro de Almeida); "Marisol" (letra de António Vilar da Costa); "Que Importa?", "Trova Eterna", "Duas Palavras", "Emigrante" e "A Voz do Fado" (letras de Domingos Gonçalves Costa), gravados por Manuel Fernandes. (op.cit:87)

Na opinião de Pedro Caldeira Cabral: "Carvalhinho foi um notável executante de fado, com um estilo inconfundível, próximo da popular tradição bandolinística com uso frequente do trémulo, efeito que realizava com perfeição rítmica e sonoridade cristalina" (Cabral 1999:251)

Faleceu em Lisboa, no dia 27 de Janeiro de 1990.

Selecção de fontes de informação:
Sucena, Eduardo (1992), “Lisboa, o Fado e os Guitarristas”, Lisboa, Veja;
Caldeira Cabral, Pedro (1999) “A Guitarra Portuguesa”, Col. “Um Século de Fado”, Lisboa, Ediclube.

Última actualização: Abril de 2008