Museu do Fado
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Personalidades
 
Gilberto Grácio
( 1936 )
Verdadeiro autodidacta, e sem nunca ter consultado livros sobre a construção de guitarras, das suas mãos saem guitarras e violas de atestada qualidade sonora, perfeitos e de beleza incomparável, adquiridas por quase todos os músicos profissionais, casos de Artur e Carlos Paredes, António Chaínho, até Jimmy Page, que lhe solicitou a construção de uma guitarra portuguesa, entre inúmeros outros músicos.

Gilberto Marques Grácio nasceu em 12 de Maio de 1936, em Lisboa, na Freguesia da Encarnação e, com apenas 12 anos, na oficina no Cacém, começou a construir instrumentos na oficina do pai, dando assim continuidade a uma actividade iniciada pelo seu avô.

Aos 14 anos começou ele próprio a comprar os materiais para a oficina do pai. Gilberto Graçio afiava as ferramentas e ia aprendendo a conhecer as madeiras, material primordial na construção de instrumentos de corda. Com a idade de 17 anos construiu totalmente o seu primeiro instrumento, uma viola que ainda hoje mantêm em seu poder. Já na infância Gilberto Grácio gostava de manusear madeiras e com os restos de tampos fazia alguns pequenos trabalhos, contudo estes eram realizados às escondidas do seu pai uma vez que "assaltava" a caixa de ferramentas sem o seu consentimento.

Aprendeu música, tocava viola e bandolim, mas actualmente já não toca, dando preferência à afinação dos mesmos.

Apaixonou-se pelo Fado, com apenas 6 anos, na “Adega do Ramalho”, uma casa típica situada no Cacém, onde tocava o Conde de Sabrosa, esposo de D. Maria Teresa de Noronha.

Verdadeiro autodidacta, e sem nunca ter consultado livros sobre a construção de guitarras, das suas mãos saem guitarras e violas de atestada qualidade sonora, perfeitos e de beleza incomparável, adquiridas por quase todos os músicos profissionais, casos de Artur e Carlos Paredes, António Chaínho, até Jimmy Page, que lhe solicitou a construção de uma guitarra portuguesa, entre inúmeros outros músicos. Segundo o construtor uma guitarra portuguesa demora cerca de 180 horas de trabalho a ser construída, e o tempo de construção de uma viola é sensivelmente o mesmo. Hoje Gilberto Grácio conta com mais de um milhar de instrumentos construídos pelas suas mãos.

Colabora e trabalha para várias orquestras ligeiras e para uma variante mais ligeira da música portuguesa, como os casos de Rui Veloso, Fausto, Paco Bandeira, Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, entre outros, e neste seu ofício chegou a construir duas guitarras eléctricas.

Entre 1997 e 2000 leccionou na Oficina Romani, organizada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, uma escola preparada para alunos de etnia cigana.

Em 15 de Setembro de 2003 abriu uma oficina de formação, através do Instituto de Emprego e Formação Profissional e da Câmara Municipal de Oeiras, com instalações pertencentes à autarquia, no Alto da Loba, em Paço de Arcos.

De modo a não deixar morrer a tradição, Gilberto Grácio dedica-se a transmitir a sua arte através da formação de alunos, os futuros construtores de instrumentos musicais. Para o construtor é factor chave: "ter sensibilidade e arte, além de muita vontade. Isto não é propriamente marcenaria ou carpintaria". Assim, no sentido de aperfeiçoar a arte, tem o método de ensinar primeiro aos seus alunos a construção da viola, tida como mais simples, e depois então passam a construir a guitarra portuguesa.

Tantos anos de dedicação, são evidenciados no timbre e sonoridade especial que as guitarras Grácio transmitem, reconhecidas por todos os grandes nomes do Fado, instrumentistas ou intérpretes.

O melhor e o mais antigo construtor de guitarras é reconhecido pelo seu trabalho, tendo recebido condecorações da Câmara Municipal de Sintra, entregues pela Drª. Edite Estrela e pela Junta de Freguesia do Cacém.

Em 05 de Outubro de 2002 recebeu a Comenda do Presidente da República Jorge Sampaio.

Selecção de fontes de informação:
Caldeira Cabral, Pedro (1999) "A Guitarra Portuguesa", Col. "Um Século de Fado", Lisboa, Ediclube;
"30 Dias", Roteiro da Câmara Municipal de Oeiras, Janeiro de 2004;
Museu do Fado - Entrevista realizada em 11 Janeiro de 2007.

Última Actualização: Janeiro/2007

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